Salvador vai ficar sem ônibus no próximo domingo, avisam rodoviários

Paralisação foi marcada após assembleia nesta quinta-feira (17)
Após 40 dias em campanha salarial, os rodoviários de Salvador decidiram fazer uma paralisação de 24h no próximo domingo (20). À meia-noite (na virada de sábado para domingo) os veículos da frota urbana vão parar de rodar pela cidade.
A decisão foi tomada em assembleia na tarde desta quinta-feira (17) no Sindicato dos Bancários, na Ladeira dos Aflitos. Eles querem pressionar os empresários de ônibus a cederem na negociação da próxima segunda-feira, no Ministério Público do Trabalho (MPT). 
Inicialmente, a categoria afirmou que vai tirar 100% dos ônibus das ruas, mas o diretor de comunicação do Sindicato dos Rodoviários, Daniel Mota, admitiu que caso haja determinação judicial, eles vão colocar a frota mínima para serviços essenciais, que é de 30%.
“Estamos avisando à população que domingo não saia de casa porque não vai ter ônibus”, diziam os dirigentes em um carro de som que circulava no Centro da cidade.
Eles saíram em caminhada dos Aflitos para a Estação da Lapa, mas pararam nas imediações da Praça Doutor João Mangabeira a pedido da Polícia Militar. 
As reivindicações dos rodoviários são de reajustes de 6% no salário e de 10% no ticket salarial. Eles também afirmam que os empresários estão propondo retirar cobradores de algumas linhas, reduzir os domingos de folga no mês de dois para um e trocar o pagamento de horas extra por banco de horas. 
Estado de greve
Se não houver acordo na segunda-feira (21), a categoria promete deflagrar greve a partir da terça, decisão que será confirmada numa assembleia nesta data, às 15h. “Vamos fazer a maior greve que esta cidade já viu”, alertavam os manifestantes. Segundo Daniel Mota, não há muita esperança de um acordo na reunião. 
“Eles alegam que não podem dar aumento por causa da crise. Mas quando eles estavam nadando de braçada, não estavam preocupados em repartir o bolo”, disse o sindicalista.
O secretário de Mobilidade Urbana de Salvador, Fábio Motta, está tentando mediar a situação e marcou conversas com os rodoviários e os empresários para esta sexta-feira (18). "Quero ver se a gente consegue evitar tanta a paralisação do domingo quanto a possível greve de quarta-feira", disse, acrescentando que a Secretaria só vai anunciar decisões para amenizar o transtorno da paralisação no sábado, quando tiverem certeza do protesto. 
Ele acrescenta que o dialógo entre as partes está difícil e está já é a terceira ou quarta tentativa de fazerem com que cheguem a um acordo. "Os empresários estõa dizendo que estão com o contrato em prejuízo e entraram na Justiça pedindo modificações. Já os rodoviários dizem que sem aumento não vão trabalhar", resumiu. 
Tumulto
Já no final da caminhada houve confusão entre os manifestantes e os ocupantes de um ônibus da BTM, que seguia sentido Barris. O veículo conseguiu furar o bloqueio da manifestação e quando parou no semáforo, os manifestantes começaram a gritar, tentando impedir que o coletivo seguisse o seu caminho. 
Uma passageira se exaltou e xingou os manifestantes, que teriam xingado de volta.
Uma janela do ônibus foi quebrada, supostamente pelo cobrador do veículo que teria desferido um murro. Outra versão dá conta que um manifestante teria atirado uma pedra na janela. Um dos rodoviários começou a bater com uma haste de uma faixa do protesto no coletivo, que foi embora quando o semáforo abriu. Aparentemente, ninguém ficou ferido. 
Engarrafamento
A caminhada dos rodoviários deixou o trânsito engarrafado no percurso entre os Aflitos e a Lapa. O prejuízo maior foi no ponto de dispersão do protesto, na Praça João Mangabeira, onde as centenas de manifestantes pararam por cerca de 30 minutos. Passageiros de ônibus que iam até a Estação da Lapa, muitos em direção à Campus Party na Fonte Nova, desceram o coletivo e completaram o percurso a pé. 
Apesar do inconveniente, os passageiros pareciam apoiar a manifestação, ressalvando o fato de eles não terem avançado antes. O pesquisador André Souza, 28, desceu do coletivo após 25 minutos de espera. "Tô indo pegar o metrô, mas ainda não estou atrasado pro meu compromisso", disse. Ele mostrou simpatia pela causa dos rodoviários. 
"Se é um direito deles e se a causa é viável, tem que ter manifestação", disse. Ele ouviu o aviso da paralisação do domingo e disse que ainda ia pensar no que fazer. "Não tenho nada marcado para esse dia, mas acho que não vou sair de casa", disse. (correio)

Nenhum comentário

Tecnologia do Blogger.