Novo recuo de Temer aumenta incerteza e coloca inflação em risco

O governo de Michel Temer tem nesta sexta-feira um novo episódio para mostrar que suas convicções não resistem a uma pressão
Por EXAME

SUPERMERCADO: combinação de frete mais alto e dólar perto dos 4 reais deve levar a aumento no preço de produtos / Reinaldo Canato/ VEJA (/)
O governo de Michel Temer tem nesta sexta-feira um novo episódio para mostrar que suas convicções não resistem a uma pressão. Em dois anos no cargo, o presidente já recuou de nomeações e demissões, de sua candidatura à reeleição e até da criação de reserva ambiental. Desta vez, o recuo foi na nova tabela do frete rodoviário, que entrou em vigor ontem mas foi revogada quatro horas depois por pressão de caminhoneiros.
Em reunião com representantes da categoria, no início da noite, o ministro dos Transportes, Valter Casimiro, revogou a medida que reduzia, em média, 20% no preço médio em relação à tabela acordada para encerrar a greve do fim de maio. A reunião de hoje deve definir uma nova tabela, e tentar contentar caminhoneiros e produtores rurais.
O risco, para o consumidor, é que os fretes mais caros, aliados à disparada do dólar, tragam de volta um dos problemas econômicos que o governo havia conseguido enterrar: a inflação. Nesta quinta-feira, o dólar comercial teve alta de 2,25% e fechou cotado a 3,925. A alta acumulada desde o fim de janeiro chega a 23%, o que impulsiona preços de produtos como pão e carne de frango, que dependem de insumos cotados na moeda americana.
A volta da tabela do frete desejada pelos caminhoneiros também deve impulsionar os preços. O frete de arroz vai subir 50% e o de rações para aves e suínos pode ficar até 83% mais caro, segundo produtores. Para a Confederação Nacional da Indústria, a nova tabela de fretes é “insustentável”.
Se fica ao sabor das pressões no lado do frete, o governo ao menos age para tentar conter o câmbio. No início da noite de ontem o presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, afirmou que venderá 20 bilhões de dólares até o final da próxima semana para conter o dólar e usará todos os recursos disponíveis caso a volatilidade cambial se agrave.
O problema, para o Brasil, é que o Planalto vem usando “todos os recursos disponíveis” para agrados direcionados, e não para o bem do país.

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