Trump está certo sobre imigrantes ilegais nos EUA

Rasheed Abou-Alsamh
Por décadas, imigrantes ilegais têm abusado do sistema, usando as brechas na lei e a generosidade dos EUA para ficar no país
A vontade do presidente americano Donald Trump e dos republicanos de estancar o verdadeiro tsunami de imigrantes ilegais entrando nos Estados Unidos é algo com que me identifico. Os progressistas gostam de choramingar sobre este assunto, argumentando que nós devemos deixar entrar e ficar todo imigrante que conseguir chegar até as fronteiras americanas. Isto é um absurdo, que qualquer país no mundo não aceitaria.
Trump tem como meta de sua administração diminuir em muito o número de imigrantes ilegais entrando no país, e retirar aqueles que já estão no país em situação irregular. De acordo com o Centro de Pesquisa Pew, havia 11 milhões de imigrantes ilegais nos EUA em 2015. Deste número, mexicanos formam a maior porção, ou 5,6 milhões em 2016. Mas o número de imigrantes ilegais vindos da América Central, da Guatemala, de Honduras e El Salvador em particular, tem crescido mais nos últimos anos. Em 2014, 115.000 imigrantes destes três países chegaram aos EUA, o dobro dos 60.000 que entraram três anos antes.
“Houve um aumento de 325% em chegadas de menores estrangeiros desacompanhados, e um aumento de 435% em unidades de famílias entrando no país ilegalmente,” disse a secretária de Segurança Interna, Kirstjen Nielsen, esta semana, em Washington.
“Nos últimos dez anos, houve um aumento de 1.700% em pedidos de asilo, resultando num acúmulo de 600 mil casos de asilo. Desde 2013, os Estados Unidos têm admitido mais do que meio milhão de menores ilegais e famílias vindos da América Central, a maioria deles ainda à solta nos EUA. Ao mesmo tempo, organizações criminosas como a MS-13 (Mara Salvatrucha, gangue salvadorenha que atua nos EUA) têm violado nossas fronteiras e conseguido uma base de apoio mortal dentro dos Estados Unidos”, acrescentou Nielsen.
Trump lançou uma política de tolerância zero este ano com imigrantes ilegais, e começou a separar as crianças que estavam chegando ilegalmente aos EUA com seus pais. Isso porque os pais estão sendo mandados para prisões federais, onde crianças não podem ficar. Isso levou a uma onda de ultraje esta semana quando gravações de crianças gritando pelos seus pais e fotos delas em gaiolas grandes em centros de detenções surgiram. Isso levou Trump a rever sua posição de separar as crianças dos seus pais, assinando um decreto suspendendo esta política no dia 20 de junho.
A administração Trump tinha começado a separar as crianças de imigrantes ilegais em maio deste ano, porque há uma decisão judicial para que não se deixe que crianças fiquem presas em centros federais por mais de 20 dias. O problema é que a decisão de um juiz de imigração, dizendo se a família pode ou não ficar mais tempo no país, geralmente leva mais de 20 dias.
Trump também quer acabar com os 50.000 vistos de imigração que são sorteados entre cidadãos de 191 países e territórios todo ano.
Este verdadeiro oceano de novas pessoas chegando todo ano aos EUA já foi uma força para o país, fornecendo mentes inteligentes. Ninguém nega a contribuição feita para a economia americana pela mão de obra barata na forma de imigrantes mexicanos e da América Central, que trabalham nas fazendas americanas colhendo frutas, limpam casas e escolas, e em geral fazem o tipo de trabalho que americanos não querem fazer mais. Mas há limites no número de novos imigrantes que a economia americana pode aguentar.
Imigrantes de Honduras e Guatemala dizem que estão fugindo de violência e falta de oportunidades econômicas. Por isso, seria de bom juízo se os EUA ajudassem esses países a desmantelar as redes criminais que tomaram conta da sociedade e dessem ajuda econômica para desenvolver suas economias. Assim seus cidadãos não se sentiriam obrigados a fugir para o Norte.
A Europa enfrenta uma situação similar com a onda incessante de imigrantes econômicos vindo da África. A Itália recentemente se negou a receber uma embarcação de refugiados africanos, porque o novo governo italiano de direita está cansado de lidar com tantos refugiados. O país já acolheu mais de meio milhão de africanos nos últimos anos, e isto está colocando uma imensa pressão sobre a economia e a sociedade.
Nos EUA, os imigrantes ilegais viraram uma questão partidária. De acordo com uma pesquisa de opinião da Quinnipac, 55% dos republicanos apoiavam a separação de famílias de imigrantes ilegais, enquanto somente 7% dos democratas concordavam com esta política.
A birra do advogado americano Aaron Schlossberg, que foi filmado gritando num restaurante em Manhattan, em maio, quando escutou trabalhadores falando em espanhol, é um exemplo da alienação que muitos americanos brancos sentem em relação ao crescente número de imigrantes hispânicos. Eu não acho que ele deveria ter gritado e nem ameaçado chamar agentes de imigração. Mas de um certo modo eu entendo o desespero dele em se sentir sitiado por imigrantes.
Eu não acho, como Trump disse no Twitter, que o grande número de imigrantes seja uma infestação. Mas já estava na hora, faz muito tempo, de botar ordem no tumultuado sistema de imigração nos EUA. Por décadas, imigrantes ilegais têm abusado deste sistema, usando as brechas na lei e a generosidade americana para ficar no país. Trump quer parar com isso, e a maioria dos americanos concorda com ele.
Rasheed Abou-Alsamh é jornalista e colunista do jornal O Globo
Matéria publicada no jornal O Globo em 22.06.2018.

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