“A OBSESSÃO PELO FISICULTURISMO ME FEZ PERDER O CABELO”, CONTA LEITORA

História contada por Rini Frey e escrita por Rachael Schultz - Women’s Health EUA | Adaptação Ana Paula Ferreira
Foto Reprodução/Instagram
“O fisiculturismo me fez perder cabelo”. Foi o que contou Rini Frey à Women’s Health EUA. Leia a seguir sua história!
Tive minha primeira experiência em uma academia aos 11 anos, com a minha mãe. Sempre gostei de me mexer, mas aos 17 anos isso se tornou uma obsessão. Eu queria ser como as mulheres magras que via em revistas, que pareciam tão saudáveis, felizes e bonitas.
Naquela época, minhas amigas estavam começando a fazer dieta para perder peso. Eu sempre levei muito em consideração o que elas achavam melhor, como forma de autoafirmação externa para acalmar minhas inseguranças. Com isso, passei a treinar excessivamente: fazia de seis a sete aulas de bike por semana e corria até mais que isso. Também fiquei obcecada por comer o mínimo possível.
Minha vida foi assim durante seis anos ou mais. Quando, aos 24 anos, comecei a namorar um cara (que depois virou meu marido) que era um fisiculturista competitivo. Seus amigos namoravam todas as concorrentes da modalidade, e elas eram tão lindas, disciplinadas e motivadas… Assim, decidi abandonar meus treinos antigos e focar em me tornar fisiculturista, esperando que isso ficaria mais feliz, saudável e admirável.
A obsessão pelo corpo no fisiculturismo
Entrar no mundo do fisiculturismo me deu uma sensação de pertencer a isso – não ligava para o quão restritiva era minha dieta, o quanto queria doces, hambúrgueres e pizza… Mas, na realidade, meu distúrbio alimentar ainda estava lá, forte, apenas se manifestando de maneira diferente.
Eu levantava peso e fazia HIIT de seis a sete dias por semana. Acabei diminuindo meus dias de descanso para duas a três vezes por mês. E enquanto me encorajavam a comer mais, comecei a cortar mais alimentos – principalmente carboidratos – para ver os resultados mais rápido.
Eu queria que abdômen trincado e glúteos e braços magros. Olhando para as fotos, ainda estou chocada com o quão pequena eu realmente era. Mas, na época, achava que não era magra o suficiente.
Então comecei a calcular cada caloria, passava fins de semana cozinhando peito de frango e brócolis para a semana e não tinha vida social. Quando comia algo fora da minha dieta, chegava a dizer no trabalho que estava doente para poder ir treinar e, depois, passava três dias de jejum.
Com isso, veio o peço físico: meu cabelo começou a cair, minhas unhas quebravam e minha pele estava seca. Eu estava sempre cansada, perdi minha menstruação e meus hormônios estavam completamente fora de sintonia. Mentalmente, eu não tinha objetivos de carreira e nenhum propósito real fora do ginásio e do meu corpo.
Meu peso continuava caindo e o corpo mudando, mas nunca era suficiente para mim. Eu nunca me senti bem o suficiente para ser uma concorrente, então acabei nunca competindo. Ainda assim, mantive os treinos.
Sempre que alguém tentavam falar comigo sobre isso, eu atacava e dizia: “Você não entende, essa é minha paixão. Se você não entende meu estilo de vida, então o problema é seu!” Meu humor estava incontrolável.
O fundo do poço aconteceu quando eu tinha 26 anos, em 2016, um mês depois de me casar. Eu tinha feito muita dieta e treinado pesado para usar meu vestido de noiva. Aí eu percebi que precisava de ajuda. O que eu realmente queria era me sentir forte, fortalecida – e livre.
O momento da mudança
Eu decidi fazer uma mudança drástica: contratei um coach por seis meses para me ajudar a recuperar o peso. Parei de treinar totalmente por dois meses. Mentalmente, senti como se todo meu trabalho tivesse sido jogado fora. E quando voltei para a academia, senti que estava começando do zero. Eu me senti fraca, desanimada.
Mas todos os dias, quando acordava, decidi tentar me aceitar como era. Nem sempre funcionava, mas nos dias que acontecia eu conseguia treinar e me concentrar em ficar mais forte e fazer algo bom para o meu corpo.
Foi difícil. Me ver engordando foi muito difícil. Mas, depois de alguns meses comendo melhor e treinando com menos intensidade, comecei a ter essa sensação de apreço pelo meu corpo.
Quando voltei a me exercitar, as séries não eram tão pesadas quanto costumavam ser. Mas cerca de um ano após a minha recuperação, notei que eu estava realmente mais forte. Eu tinha mais disposição quando acordava. Foi um sentimento totalmente novo para mim.
Também fiquei em recuperação do meu transtorno alimentar por pouco mais de um ano.
Agora como intuitivamente: tento incluir uma fonte de proteína em cada refeição, como ovos, frango, carne, feijão, legumes e, às vezes, queijo ou iogurte grego.
É difícil saber que provavelmente nunca mais vou treinar como antes, mas agora posso me exercitar mais pesado e ainda assim me divertir com isso. Finalmente estou em paz comigo mesma, afinal um corpo magro nunca me fez feliz ou saudável.

(womenshealthbrasil.)

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