EDITORIAL O JORNAL O GLOBO: Suspeitas e esperanças em torno do aceno de Trump para a UE

É positivo que empresas americanas comecem a ter problemas com o protecionismo da Casa Branca
No mesmo dia em que Trump recepcionou na Casa Branca o presidente da Comissão Europeia, o luxemburguês Jean-Claude Juncker, na quarta-feira da semana passada, 25, o “New York Times” trouxe artigo do principal executivo d
a Cummins, Tom Linebarger, alertando que as tarifas baixadas pelo governo dos EUA já afetavam as empresas americanas.
A Cummins é um fabricante de motores para múltiplos usos. Linebarger, no texto, cita o exemplo de uma unidade da empresa instalada no estado de Indiana, em Seymour, cidade de apenas 20 mil habitantes, dos quais mil trabalham na unidade local da empresa, em que foram investidos mais de US$ 300 milhões nos últimos sete anos. Há ainda um centro técnico que emprega centenas de engenheiros.
O empreendimento é um sucesso: exporta 80% da produção de motores para locomotivas, barcos e geradores de energia, por exemplo.
Mas, como a unidade depende de uma cadeia global de suprimento, as tarifas baixadas por Trump sobre aço e alumínio importados, e as consequentes retaliações de parceiros comerciais, prejudicam a Cummins.
Tom Linebarger e o mundo tiveram algum alívio com o resultado do encontro de Trump e Juncker, devido ao aceno do presidente americano para sentar-se com a União Europeia e negociarem uma agressiva redução geral de tarifas.
Assim como, de maneira inesperada, Trump, na sua recente turnê pela Europa, considerou a UE um “inimigo”, dessa vez propôs um entendimento amplo, semelhante ao que Obama desejava fazer por meio do Acordo Transpacífico (TPP), denunciado pelo próprio atual presidente americano.
Espera-se que tudo seja uma tática arriscada para forçar entendimentos globais, e não uma política suicida em que todos os envolvidos no conflito morrem.
O certo é que, ao menos, Trump e militantes do isolacionismo têm visto diante de si, nesses últimos dias, o estrago que medidas protecionistas unilaterais baixadas de uma hora para outra podem provocar nos Estados Unidos e, claro, na economia global.
As tarifas de 25% e 10% sobre o aço e o alumínio importados afetam a Cummins e todas as montadoras de veículos instaladas nos Estados Unidos. E há, ainda, as retaliações europeias e chinesas que abalam a agricultura e a indústria americanas, e que podem desempregar milhares de pessoas. A realidade começa a ser um forte argumento a ser levado em conta.

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