ELEIÇÕES 2018 - Marina perde o apoio que teve de evangélicos em 2014

Presidenciável da Rede conta com 12% das intenções de voto do grupo; na eleição passada, esse índice chegava a 43%
Marina Silva: em baixa entre evangélicos (Nelson Almeida/AFP)
Única evangélica entre os principais candidatos a presidente nas eleições 2018, Marina Silva (Rede) perdeu o embalo do crescimento do eleitorado dessa religião desde 2014. Hoje ela tem entre os evangélicos apenas 12% das intenções de voto, porcentual igual ao obtido entre os católicos ou seguidores de outras religiões, segundo pesquisa Ibope/Estado/TV Globo. Há quatro anos, seu apoio no grupo era de 43%.
O eleitorado evangélico, que já tinha peso significativo em 2014, expandiu-se desde então, segundo pesquisas realizadas agora e há quatro anos. Naquela época, os evangélicos eram aproximadamente um em cada cinco eleitores. Agora, são um em cada quatro. Além de já não ter um eleitorado marcadamente evangélico, a candidata da Rede não é a preferida nesse grupo — em um cenário sem Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Jair Bolsonaro (PSL) tem 26% no segmento, desempenho superior ao registrado entre católicos (17%).
Em 2014, Marina começou a campanha como candidata a vice-presidente de Eduardo Campos (PSB), e assumiu a cabeça de chapa após a morte do titular. Na época, ela se envolveu em polêmicas relacionadas a aborto e casamento entre pessoas do mesmo sexo.
Sobre o primeiro tema, se declara contrária, mas defendeu e continua defendendo a realização de um plebiscito sobre legalização. Em relação ao segundo, logo após publicar seu programa de governo, a campanha trocou “casamento gay” por “união civil” no capítulo que discutia direitos dos homossexuais. A alteração foi interpretada como tentativa de evitar reações negativas no eleitorado religioso.
‘Traição’
“Acreditávamos que ela era nossa candidata. Quando chegou a questão do aborto, do casamento homoafetivo, ela não se posicionou”, disse o deputado Marco Feliciano (Podemos), um dos principais nomes da bancada evangélica na Câmara. “Com a história do plebiscito, ela traiu a questão evangélica.”
Agora, a candidata não parece tão preocupada com a possibilidade de desagradar a esses eleitores. Seu programa defende garantir por lei o casamento entre pessoas do mesmo sexo e direitos iguais para adoção. Com um programa mais à esquerda que o de 2014 — elaborado em conjunto com o PSB —, o atual partido de Marina busca herdar parte do espólio eleitoral do ex-presidente Lula em caso de impedimento pela Lei da Ficha Limpa.
As pesquisas mostram que Marina, neste momento, é quem mais se beneficia da saída de Lula da corrida eleitoral. A ex-ministra sai de 6% para 12%, no cenário com e sem o petista, respectivamente. Seu eleitorado é marcadamente feminino, nordestino e pobre.
No último debate entre presidenciáveis na RedeTV!, ao ser confrontada por Bolsonaro em sua defesa de um plebiscito para decidir a questão do aborto, Marina lembrou que o Estado é laico. Cabo eleitoral da candidata, o pastor Caio Fábio avalia que a queda de apoio a ela entre evangélicos se deve mais aos próprios eleitores do que às propostas de Marina. “Isso tem a ver com o embrutecimento religioso.”
Ataques
Na disputa por votos dos evangélicos, a campanha de Bolsonaro usa a estratégia de atrelar Marina a uma agenda “não cristã”. Presidente do PSL e coordenador da campanha do deputado, Gustavo Bebianno chamou a ex-ministra de “cristã fajuta”.
Além de Marina e Bolsonaro, outros presidenciáveis buscam uma aproximação dos evangélicos. Geraldo Alckmin (PSDB) e Henrique Meirelles (MDB), por exemplo, colocaram as igrejas em suas agendas já na largada da campanha. A receita é conhecida: os postulantes ao Planalto são recebidos por pastores no púlpito, discursam e distribuem brindes para os fiéis.
(com Estadão Conteúdo)

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