Exterminador do Futuro foi vitima do que prega

JORGE OLIVEIRA*
Vitória – Não me surpreende que um candidato que prega a violência seja vítima dela. Bolsonaro, nas suas andanças pelo Brasil, tem ensinado crianças a usar armas com seus gestos descabidos, inapropriados e rudimentares. Acha, o candidato, que pode acabar com a violência no país utilizando-se dos mesmos métodos dos bandidos, na base do olho por olho, dente por dente. Mostrou-se, enquanto esteve nas ruas, adepto dos policiais que formaram o Esquadrão da Morte, uma das organizações mais sanguinárias e bestiais, criada para fazer justiça com as próprias mãos no Rio de Janeiro.
O Esquadrão da Morte, que “trabalhava” sob o patrocínio da Scuderie Le Cocq, nome de um policial morto por bandidos no Rio, disseminou a violência pela Baixada Fluminense. E em nome da defesa dos oprimidos, que apoiavam esses marginais travestidos de policiais, matou inocentes e espalhou o terror pelas madrugadas do Rio. De um desses policiais é que surgiu a frase “Bandido bom, é bandido morto” que Bolsonaro e seus seguidores pregam pelo Brasil.
Bolsonaro é adepto dessa filosofia rasteira. Por onde passou fazendo campanha incitou a violência, fez gestos truculentos até mesmo para o PT, quando, com uma arma de brinquedo, ameaçou matar os “petralhas”. Disse certa vez que iria metralhar de helicóptero a Favela da Rocinha se os traficantes que lá estão não se rendessem às suas ordens de deixar a comunidade. Disseminou, como ninguém, a brutalidade, a força, o confronto. Disse para uma deputada que ela não “merecia ser estuprada” e que um negro quilombola não serviria nem para procriar.
Sabia que vivia no fio da navalha. Tanto é verdade que ao acordar no leito do hospital disse que já previa uma agressão. Bolsonaro, a exemplo de alguns de seus asseclas, defende o confronto. Aliás, isso não é uma coisa isolada do candidato. O Lula, que está em cana, também apregoa a violência quando se encontra em desvantagem. Quem não lembra quando ele disse que iria botar o Exército Vermelho do Stédeli nas ruas para evitar o impeachment da Dilma? Os extremistas tanto de direita como de esquerda são assim mesmo. Quando ficam em desvantagem recorrem à brutalidade e à truculência para fazerem valer seus argumentos. A América Latina está cheia desses tipos grotescos, déspotas
A violência atrai violência. Devemos aqui condenar essa selvageria contra o candidato, mas não esquecer também seus atos de truculência nos gestos de campanha e nas suas palavras nas ruas. Mas é bom lembrar que o mundo está cheio desses malucos. John Lennon, Martin Luther King, Kennedy, Gandhi e tantos outros líderes, pacifistas ou não, foram vítimas desses tresloucados.
A verdade é que o Brasil vive um trauma político desde que a petezada chegou ao poder. A ascensão da direita é fruto desse atual acirramento político. Ela ressurge das cinzas e cresce no momento em que o PT dissolveu as bases econômica e sociais do país. Avançou, como ave de rapina, nos cofres públicos, desmontou a Petrobrás, uma das empresas mais sólidas do mundo. Atacou as empreiteiras e delas tirou até o último tostão para financiar seus militantes no poder.
Diante desse quadro de vandalismo nas estatais, do caos na economia e da prisão da cúpula do Partido dos Trabalhadores nada mais natural o surgimento dos salvadores da pátria com propostas mirabolantes para endireitar o país. É nessa esteira da anarquia que aparece o capitão Bolsonaro com as suas propostas estúpidas e desordenadas, mas que logo atraiu uma parte dos brasileiros ávidos por justiça, fenômeno que se assemelha ao apoio que o Esquadrão da Morte teve no Rio na década de 1970.
O que se pode esperar desse país daqui para frente? É difícil prever, mas não é difícil imaginar que estamos diante de uma convulsão social com o acirramento e os confrontos que advirão com o resultado dessas eleições. Os radicais da direita não se darão por vencidos e os radicais de esquerda vão tentar de todas formas ocupar as ruas e praças para ilegitimar o vencedor das eleições. Vai ser um salve-se quem puder.
Quem sair por último, por favor, apague a luz.
*JORGE OLIVEIRA, COLUNISTA DO DIÁRIO DO PODER

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