LOBBY: ‘Para resolver a questão do lobby, primeiro precisamos chamá-lo pelo nome’

Para Milton Seligman, Brasil enfrenta ‘grande fantasma’ na discussão de regulamentar o tema
GUILHERME PIMENTA/JOTA
Crédito: Reprodução Youtube
O engenheiro Milton Seligman, ex-ministro da Justiça do governo Fernando Henrique Cardoso (PSDB), avalia que o Brasil enfrenta um “grande fantasma” quando trata da regulamentação do lobby. Para ele, o primeiro passo é chamar a prática pelo nome correto: “É lobby mesmo. Precisamos dizer que o problema existe e chamá-lo pelo nome.”
Professor do Insper, Seligman participou do “I Seminário Internacional Gestão do Estado e Políticas Públicas: desafios para o controle da corrupção”, realizado pela Universidade Mackenzie com apoio do JOTA.
Segundo o especialista em lobby, todos os problemas existentes hoje no país, envolvendo todas as candidaturas, “dizem respeito, de alguma maneira, à relação entre Estado e empresas”.
“A prática tem sido escondida com nomes como ‘relações governamentais’, ‘relações institucionais’ e assim por diante, mas é lobby mesmo e é isso que precisamos resolver”, disse Seligman.
De acordo com o ex-VP de Corporate Affairs da Ambev, a atividade privada de influenciar políticas públicas é, desde que legítima, necessária para que sinergias possam ser encontradas. “O que temos que fazer é uma maneira de regulamentar essa atividade, para isso sair de um espaço cinzento, invisível, visto só em situações dramáticas.”
Ao regulamentar o lobby, falou Milton Seligman, “estamos buscando é maneira de dar a todos oportunidades de influenciar sobre políticas públicas para não privilegiar determinados segmentos”.
Transparência
Também presente no debate, a professora da FGV Andréa Cristina Oliveira Gozetto, especialista no tema, afirmou que a regulamentação da prática dará mais transparência ao diálogo entre público e privado.
“A autoridade pública terá de dizer, quando procurada, quem está querendo debater e qual o tema da reunião. Tudo deve ser agendado e divulgado em uma plataforma única”, declarou Andréa.
Para a professora, “a sociedade não entendeu que regulamentar o lobby interessa a ela”. “O tomador de opinião muitas vezes desconhece o assunto. Com uma canetada, pode até extinguir um setor”, afirmou.
Na mesma linha falou Pedro Buck Avelino, coordenador da Área Internacional da Faculdade de Direito da Mackenzie. “É melhor que o lobby venha às luzes e que eu saiba quem defende ou não tal interesse e quem está recebendo recursos para isso. Assim controlo e acompanho o tipo de relacionamento entre público-privado com transparência”, disse.
GUILHERME PIMENTA – Repórter em São Paulo, acompanha mercado de capitais, concorrência e crimes financeiros. E-mail: guilherme.pimenta@jota.info

Nenhum comentário

Tecnologia do Blogger.