Com veto do PT a mudanças, Haddad encerra estratégias do 1º turno e já discute pós-domingo

Por Andréia Sadi
O candidato do PT à Presidência da República, Fernando Haddad, durante debate de presidenciáveis nos estúdios da TV Globo no Rio de Janeiro — Foto: Marcos Serra Lima/G1
O PT conseguiu no primeiro turno o que queria: uma candidatura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do partido sem acenos ao centro.
O grupo de aliados mais próximo de Fernando Haddad até que propôs mudanças, tentando convencer o comando do PT e o próprio candidato de que ele precisava ampliar apoios ainda no primeiro turno.
Uma ideia era dar um recado no debate da TV Globo de que, por exemplo, já tinha trabalhado no mercado financeiro, sinalizando que não daria nenhum "cavalo de pau" na economia se eleito. Mas o PT disse não – e Haddad não reagiu.
Prevaleceu a ordem do comando petista e o candidato saiu do debate com a mesma roupa que entrou na campanha: a de nome do PT, polarizando com o PSDB, que praticamente não está mais no jogo eleitoral.
Como o debate da TV Globo é considerado o último grande ato de campanha dos candidatos, Haddad encerrou ontem sua estratégia de primeiro turno sem trocar de roupa.
Agora, discute seu novo figurino com aliados. Se passar ao segundo turno, prepara uma lista de números para telefonar já no domingo pedindo apoio: de Geraldo Alckmin (PSDB) a Rodrigo Maia (DEM), quer defender uma aliança no estilo "nós contra ele". No caso, "ele" é Jair Bolsonaro, candidato do PSL.
Em relação ao pedetista Ciro Gomes, integrantes do PT afirmam que Jaques Wagner foi escalado para a missão pública de acenar ao candidato. Nesta semana, o ex-governador da Bahia já fez elogios ao candidato do PDT.
Mas, para ampliar o discurso, Haddad sabe que precisa afastar os petistas lulistas do comando da campanha. Por exemplo: Gleisi Hoffmann e Sergio Gabrielli, que participam de toda e qualquer decisão do comitê.
Se, por um lado, Haddad sabe que precisará enfrentar o time titular do PT, por outro, recusa-se a deixar de visitar o ex-presidente Lula nas próximas três segundas-feiras em Curitiba, antes do segundo turno.
Isto é, se Haddad chegar ao segundo turno.
A própria campanha admite que o PT calçou um salto alto tamanho 13 na semana passada, antes das pesquisas mostrando a ampliação da vantagem de Bolsonaro.
Com os novos números, a turma de Haddad se assustou e antecipou o confronto com Bolsonaro na propaganda da TV, estratégia que guardava para o segundo turno.
Mas não se assustaram o suficiente para o fazer uma autocrítica – como cobrou, nesta quinta, Marina Silva no debate da TV Globo – ou para fazer o tal aceno ao centro.
Quando perguntado por interlocutores sobre o motivo de não ter acenado ao centro já agora, Haddad responde: "Tudo a seu tempo."
Resta saber se o candidato Fernando Haddad terá tempo, em um segundo turno, para jogar seu jogo.
 Foto: Editoria de Arte / G1

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