Janaúba, que matou 10 crianças em creche

Em 5 de outubro de 2017, vigia de 50 anos invadiu a Creche Gente Inocente e ateou fogo em sala cheia de crianças. Ele morreu e provocou as mortes de outras 13 pessoas
Marcas da destruição da Creche Gente Inocente, que deixou 13 mortos e mais de 40 feridos(foto: Luiz Ribeiro/EM/DA Press - 10/10/17)
LR Luiz Ribeiro/Estado de Minas
Marcas da destruição da Creche Gente Inocente, que deixou 13 mortos e mais de 40 feridos(foto: Luiz Ribeiro/EM/DA Press - 10/10/17)
Moradores de Janaúba, no Norte de Minas, vão relembrar um dos dias mais tristes da sua história. Logo cedo, às 7h, haverá uma missa na Igreja Santa Rita, no Bairro Rio Novo, em homenagem às vítimas da tragédia da Creche Gente Inocente, que hoje completa um ano. Na manhã deste dia em 2017, o vigia Damião Soares dos Santos, de 50 anos, invadiu a unidade de ensino infantil e ateou fogo na sala onde estavam as crianças, matando a si próprio e provocando as mortes de outras 13 pessoas, sendo 10 crianças, e deixando mais de 40 feridos. A tragédia teve repercussão internacional.
Após a missa, serão realizadas atividades de lazer no Clube Serrano, no Bairro Barbosas, organizadas pela Defensoria Pública de Minas Gerais. Foi anunciada para as 19h, na Catedral do Sagrado Coração de Jesus, no Centro da cidade, uma celebração para as famílias das vítimas, os sobreviventes e a população em geral promovida pela Associação dos Familiares de Vítimas e Sobreviventes da Tragédia da Creche Municipal Gente Inocente de Janaúba (AVTJana).
Após o triste acontecimento, o prédio incendiado foi demolido. No mesmo local, foi erguida uma moderna construção, financiada pela iniciativa privada. O Centro Municipal de Educação Infantil (Cemei) recebeu o nome da professora Heley Abreu, que morreu tentando salvar seus alunos. A nova unidade dispõe de todos os equipamentos de segurança, ao contrário da antiga creche antiga, que não tinha sequer extintores e tinha grades nas janelas e teto de PVC, material altamente inflamável.
(foto: Luiz Ribeiro/EM/D.A Press )
A presidente do comitê de Gerenciamento de Crise instituído pela prefeitura – dos efeitos da tragédia e atendimento às vítimas – e procuradora de Janaúba, Neide Lopes de Lacerda, disse que a administração municipal não programou nenhuma atividade para marcar o aniversário do triste acontecimento. “Queremos mostrar a superação das dificuldades e não ficar relembrando simplesmente o sofrimento da população.” 
Reclamações 
Passado um ano, a falta de amparo do Poder Público é alvo de críticas. Além disso, os sobreviventes se recuperam das sequelas das queimaduras, cujo incômodo é potencializado com o calor constante em Janaúba, onde as temperaturas nesta época do ano se aproximam dos 40°C. Enquanto os moradores atingidos – a grande maioria dos bairros Rio Novo e Barbosa, áreas de baixa renda da cidade – reclamam da falta de atenção, a Prefeitura de Janaúba garante que ofereceu atendimento adequado às vítimas da tragédia.
Segundo o Executivo municipal, foi ofertado “atendimento multiprofissional” às vítimas pelas secretarias de Promoção Social e Saúde. Na área de Saúde, a administração afirma que assiste 103 vítimas, entre elas 53 crianças. “Oferecemos toda assistência às famílias dentro do limite de nossa responsabilidade”, salienta a procuradora Neide Lacerda. 

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