Justiça flagra cabos eleitorais pagando entre R$ 50 e R$ 300 por voto em MT

Por Lidiane Barros/olivre
O juiz auxiliar da Presidência do Tribunal Regional Eleitoral em Mato Grosso, Lídio Modesto, afirmou há pouco, em entrevista ao LIVRE, que as apreensões de dinheiro de posse de cabos eleitorais feitas neste domingo (07) permitem estimar que o “preço do voto” que eles pretendiam comprar variava de R$ 50 a R$ 300.
“Como tudo é feito fora da lei, não temos como comprovar os valores repassados aos eleitores, mas tenho conhecimento de que é algo entre R$ 50 e R$ 300”, afirmou.
Segundo o juiz, se for confirmado abuso de poder econômico no processo de campanha, certamente que os candidatos poderão responder por isso e, inclusive, terem o mandato cassado, caso sejam eleitos.
De acordo com a Justiça Eleitoral, é aplicada com muito rigor a lei que pune quem tenta influenciar a vontade do eleitor com a prática de compra de votos. Pela legislação, o direito do cidadão ao voto livre, consciente e soberano é um bem juridicamente tutelado, devendo, quem comete o crime, sofrer as sanções que a lei estipula.
Em Mato Grosso, a Justiça Eleitoral tem empenhado esforços para coibir e detectar a prática de compra de votos. Segundo o juiz, nos dois dias que antecederam estas eleições, foram efetuadas buscas e apreensões determinadas pela Justiça.
“Flagrante foram feitos por forças de segurança, segurança, magistrados e representantes do Ministério Público, em algumas cidades, como Rondonópolis, com valores vultosos, como R$ 90 mil e R$ 20 mil. E os montantes fora encontrados não somente em áreas comerciais e residências, como também em veículos de pessoas que estão vinculadas ao processo”, afirmou.
Assessor é preso com R$ 8 mil
Nesta manhã, na sede do TRE-MT, o juiz divulgou o balanço de ocorrências, dentre elas, figuram casos de compra de votos e boca de urna. Em Sorriso, por exemplo, um assessor de candidato a deputado estadual da cidade foi preso com R$ 8 mil em espécie.
“Outros casos de boca de urna foram registrados e pessoas foram presas em Vila Bela da Santíssima Trindade, Tangará da Serra, Guarantã do Norte, Araputanga e em Campinápolis”, disse, em coletiva.
O juiz ressaltou como curioso, outro caso de Sorriso, em que um menor foi detido junto a um adulto, por oferta de cesta básica em troca de voto. “Os dois casos de Sorriso configuram corrupção eleitoral”.
De acordo com o juiz, as denúncias dos casos que aconteceram na sexta-feira (05) e sábado (06) já foram encaminhadas ao Ministério Público. “A Justiça tarda, mas não falha”, disse ele.
Bolsa com fundo falso e dinheiro em caixa
“Em um dos casos, o dinheiro já estava grampeado ao santinho. Houve também um caso em que cabo eleitoral foi abordado e então, encontrada bolsa com fundo falso e dinheiro acondicionado lá dentro. Em outro, dentro de um carro, havia dinheiro em uma caixa e na outra, santinhos de candidato”, conta.

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