Nova prisão de Joesley pega JBS de surpresa em meio a recuperação

A prisão acontece no momento em que a empresa começava a se recupera dos escândalos envolvendo Joesley e seu irmão Wesley Batista.
JOESLEY BATISTA: a investigação foi aberta em setembro de 2017 por determinação do então procurador-geral da República / Adriano Machado/Reuters (Adriano Machado/Reuters)
São Paulo – A prisão do controlador é uma notícia ruim para qualquer empresa, mas a nova detenção de Joesley Batista é um balde de água fria para a fabricante de alimentos JBS. Joesley foi preso na manhã desta sexta-feira sob suspeita de participar de um esquema de propinas no Ministério da Agricultura.
A prisão acontece no momento em que a empresa começava a se recuperar dos escândalos envolvendo Joesley e seu irmão Wesley Batista e pode esfriar os ânimos do mercado com a companhia. A notícia foi recebida com surpresa na companhia, segundo EXAME apurou. Isso porque a investigação envolvendo o suposto esquema no Ministério da Agricultura não é nova e Joesley e outros executivos já haviam prestado depoimento sobre o tema.
“O que provavelmente acontece agora é uma queda na confiança na empresa. Havia um otimismo em relação à JBS, com boas notícias no mercado externo, as ações subiram. A prisão pode se refletir em algum tipo de prejuízo”, afirma Álvaro Frasson analista e economista da corretora Spinelli.
A JBS vinha apresentando algumas boas novidades para o mercado e ensaiava virar a página. Nesta semana, a companhia anunciou um acordo bilionário com o Alibaba para exportação de carne para a China. O acordo pode render R$ 1,5 bilhão em três anos e fez as ações da companhia subirem na bolsa.
No mês passado, outra boa notícia: a classificadora de risco Moody’s elevou a nota da JBS de B1 para Ba3. Segundo a agência, a JBS conseguiu reduzir seus problemas de liquidez, principal risco da empresa desde os escândalos envolvendo os irmãos Batista.
O desempenho evidencia a evolução financeira da JBS desde o ano passado, quando Wesley e Joesley Batista confessaram uma série de ilegalidades em um acordo de delação premiada. Em 2017, Joesley Batista causou um terremoto no país ao gravar uma conversa com Michel Temer no Palácio do Jaburu. Wesley e Joesley chegaram a ser presos após o episódio.
Os escândalos derrubaram as ações da companhia. Para se recuperar, a JBS vendeu ativos, pagou US$ 2 bilhões em dívidas e prolongou o vencimento de suas obrigações, reduzindo drasticamente os empréstimos de curto prazo.
“No final de junho de 2018, a dívida de curto prazo representava apenas 7% da dívida total”, escreveu a Moody’s. A agência destacou ainda que a JBS reportou receita de 169 bilhões de reais nos 12 meses até junho de 2018.
No entanto, no mesmo relatório a agência avisa que as classificações “são limitadas pelos riscos relativos a uma série de processos e investigações que podem direta ou indiretamente envolver JBS e seus acionistas”.
A prisão de Joesley é um amargo lembrete para o mercado de que a maior produtora de carnes do mundo tem sérios problemas com seus controladores. A prisão de Joesley está inserida na investigação de um suposto esquema de arrecadação de propina dentro do Ministério da Agricultura para beneficiar políticos do MDB, que recebiam dinheiro da JBS, em troca de medidas para beneficiar as empresas do grupo.
Antes disso, em agosto a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) já havia aberto uma investigação contra Joesley, que até maio de 2017 era o presidente do conselho de administração do JBS, e contra seu irmão Wesley Batista, anteriormente presidente do grupo. O órgão que fiscaliza as empresas de capital aberto apura se os controladores do grupo lucraram com operações com dólar e ações da JBS no mercado financeiro de forma ilícita, antes de a informação sobre a existência da gravação de Temer se tornar pública.
Depois de um longo período de escândalos, parecia que a companhia havia superado a crise e os investidores voltaram a se animar. Um relatório da XP Investimentos de agosto deste ano colocava a empresa como destaque no mercado de dívida corporativa e os títulos do frigorífico foram considerados os mais atraentes para os investidores no setor de proteína do Brasil. As ações da JBS valorizaram 20% nos últimos seis meses. A nova prisão de Joesley pode mudar o jogo. (exame)

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