EDITORIAL ESTADÃO - Começa a reforma dos bancos públicos

BB, Caixa e BNDES passam a operar distante da política e na busca por eficiência
A posse conjunta dos novos presidentes dos maiores bancos públicos federais — Caixa Econômica, Banco do Brasil e BNDES —, segunda-feira, foi oportunidade aproveitada pelo governo para que a presença do presidente da República, Jair Bolsonaro, sinalizasse que continua a sintonia com o ministro da Economia, Paulo Guedes, sob quem estão as instituições financeiras estatais.
Depois dos desencontros públicos em torno das reformas da Previdência e tributária, demonstrados por declarações desinformadas de Bolsonaro, na sexta da semana passada, o necessário gesto de alinhamento geral foi feito, inclusive com o ministro-chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni. Mas a solenidade serviu também para marcar o que já vinha sendo anunciado, uma importante mudança na função que estes bancos tiveram nos 13 anos de poder lulopetista.
Um papel distorcido, ressalte-se, que, na verdade, já começara a ser revisto na gestão do vice de Dilma, Michel Temer, empossado no Planalto devido ao impedimento da presidente, causado por delitos fiscais cometidos por ela, alguns deles com o uso deletério dos três bancos. Sempre na linha “desenvolvimentista” e “dirigista”.
No seu pronunciamento, na posse de Joaquim Levy (BNDES), Rubem Novaes (BB) e Pedro Guimarães (CEF), Paulo Guedes voltou a usar a imagem da trinca que se fartou nos últimos tempos, mas não só nestes, de sugar dinheiro público por meio dessas instituições, para seus fins privados: “burocratas corruptos, piratas privados e criaturas do pântano político” .
Os três bancos acompanham a história do Brasil, e, se for feito um trabalho de arqueologia financeira nas instituições, sendo que BB e CEF são centenários, as impressões digitais de corruptos, piratas e criaturas do pântano serão encontradas nas inúmeras vezes em que estes bancos tiveram de ser recapitalizados pelo Tesouro. Ou seja, quando o contribuinte foi convocado a cobrir rombos. E aconteceu várias vezes.
Uma linha visível no redirecionamento dos bancos é o combate aos subsídios, um artifício que distorce o mercado financeiro e dá chances para a corrupção. É ilustrativo o que houve no BNDES, com o favorecimento de “campeões nacionais”, política em que Joesley Batista (JBS) despontou e acabou enredado nas investigações de corrupção. Joaquim Levy, o novo presidente do banco, anuncia a prioridade para médias empresas.
Um movimento importante será a devolução de bilhões que os bancos farão ao Tesouro. Em geral, dinheiro transferido para eles alavancarem o crescimento, dentro da ideia dirigista de que o Estado é o grande motor da economia. Não funcionou, por óbvio.
Será um ciclo saudável de enxugamento de custos, de venda de subsidiárias e de distanciamento do pântano político. Mas cabe um maior detalhamento do plano de trabalho de cada banco.

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