EDITORIAL ESTADÃO - Feminicídio é grave doença social a ser atacada em todo o país

Na primeira semana do ano, pelo menos quatro mulheres foram assassinadas no Rio de Janeiro
Histórias escabrosas de violência contra mulheres se sucedem como cenas de um filme de horror. Mudam as vítimas, os vilões, os cenários, mas, no fundo, são incrivelmente parecidas. Não faltam exemplos recentes. Na Região Metropolitana do Rio, nos primeiros dias do ano, pelo menos quatro mulheres foram vítimas de feminicídios praticados pelos companheiros. No dia 26 de dezembro, em Santo André (SP), um homem, inconformado com o fim do relacionamento, ateou fogo à ex-mulher depois de atraí-la para uma conversa sobre a guarda dos filhos. Ela sofreu queimaduras nos braços, e o agressor está preso. Três dias depois, em Valparaíso de Goiás (GO), uma mulher foi atacada, dentro do elevador, com socos e tapas pelo marido, que ainda atirou uma lata de cerveja em seu rosto. No dia 5, em São Paulo, câmeras de um posto de gasolina flagraram agressões de um motorista de aplicativo contra a mulher: depois de arrastá-la pelos cabelos, deu-lhe uma joelhada na cabeça e ameaçou quem tentou socorrê-la.
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É possível que hoje, devido à mobilização de grupos sociais, casos como esses repercutam mais, chamando a atenção para agressões contra as mulheres. Não importa. Os números confirmam que o problema tem se agravado. Como mostrou o “Jornal Nacional”, da Rede Globo, as denúncias de violência contra mulheres (para o Disque 180) aumentaram quase 30% no ano passado em todo o país. Segundo balanço publicado pelo “Correio Braziliense”, em dezembro de 2018 foram registradas 974 tentativas de feminicídio, o que representa aumento de 78% em relação ao mesmo mês do ano anterior.


Em reportagem do JN, o pesquisador Daniel Cerqueira, do Ipea, afirma que 5 mil mulheres morrem por ano no Brasil, 40% delas assassinadas pelos companheiros ou ex-companheiros.


Para especialistas, a melhor forma de conter essa onda de feminicídios e agressões contra mulheres é a prevenção. De fato, em muitos desses casos, as vítimas já tinham prestado queixa em delegacias, mas o Estado se mostrou incapaz de protegê-las.


Existem experiências bem-sucedidas nesse campo. Em Taboão da Serra, na Grande São Paulo, a Patrulha Guardiã Maria da Penha atende 136 mulheres amparadas por medidas protetivas. Diariamente, uma ronda da Guarda Civil Municipal verifica se as normas estão sendo cumpridas.




É preciso que a sociedade entenda o feminicídio como grave doença social a ser atacada. No plano jurídico, há a Lei Maria da Penha e existem as delegacias especializadas. Mas é importante tratar a questão pelo lado social e cultural: levá-la para salas de aula, fazer campanhas etc. Enfim, prevenir. Porque, em muitos casos, a ação de quem quer que seja pode chegar tarde demais.

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