Haja paciência, Merval! A desmoralização dos argumentos de um comentarista global...

Dia 10 de janeiro, à noite, Merval Pereira, tropeçando nas palavras, criticou a ascensão do diplomata Ernesto Araújo ao cargo de chanceler brasileiro.
Todo o fundamento da crítica recaiu sobre o fato de o novo ministro jamais haver ocupado cargo de embaixador e isso representar uma ruptura na carreira diplomática, um desrespeito às hierarquias internas do Itamaraty. A escolha do ministro seria, então, uma afronta à longa tradição que qualifica a diplomacia brasileira.
O facciosismo que comanda os opinadores da Globo, a determinação coletiva de atacar o governo Bolsonaro é um demolidor de discernimento e de sensatez!
Por isso, Merval Pereira se esqueceu de todos os muitos chanceleres brasileiros que nada tinham a ver com o Itamaraty e com a diplomacia brasileira, tais como Fernando Henrique Cardoso, José Serra, Aloysio Nunes Ferreira, Olavo Setúbal, Celso Lafer, Abreu Sodré e tantos outros.
Afinal, Merval? Você prefere no Itamaraty um diplomata de carreira ou um político de carreira sem qualquer relação com a diplomacia?
E note: o diplomata Ernesto Araújo só não foi embaixador porque o PT jamais deixaria isso acontecer.
Haja paciência!
*Percival Puggina, é Membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+.

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