Revisão de livros gera polêmica entre governos e chega ao Twitter

Na rede social, o presidente Bolsonaro afirma que mudança no edital foi feita pela gestão Temer “e corrigida por nós”
FOTO: RAFAELA FELICCIANO/METRÓPOLES
O nono dia do governo Jair Bolsonaro (PSL) foi de mais polêmicas. Dessa vez, dentro do Ministério da Educação (MEC), com a decisão de mudar o edital para a aquisição de livros didáticos e eliminar a necessidade de referências bibliográficas, além de retirar o item que impedia publicidade e erros de revisão e impressão. Ao final da tarde desta quarta-feira (9/1), o governo teria recuado da iniciativa. O imbróglio saiu da Esplanada, invadiu o Twitter, envolveu a imprensa e respingou no governo Temer, que, segundo Bolsonaro, teria sido o autor das mudanças no edital.
Entre os outros trechos que seriam mudados no edital, estava o que dizia que as obras deveriam “promover positivamente a cultura e a história afro-brasileira, quilombola, dos povos indígenas e dos povos do campo, valorizando seus valores, tradições, organizações, conhecimentos, formas de participação social e saberes”.
Metade de um item que se referia às mulheres havia sido cortado. Ele determinava: os livros deveriam dar “especial atenção para o compromisso educacional com a agenda da não-violência contra a mulher”.
A nova posição do governo federal foi divulgada, em nota, pelo MEC: “O ministro da Educação, Ricardo Vélez Rodríguez, decidiu tornar sem efeito o 5º Aviso de Retificação do edital do PNLD 2020, publicado no dia 2 de janeiro, tendo em vista os erros que foram detectados no documento cuja produção foi realizada pela gestão anterior do MEC e envida ao FNDE em 28 de dezembro de 2018”, diz trecho da nota.
“O MEC reitera o compromisso com a educação de forma igualitária para toda a população brasileira e desmente qualquer informação de que o Governo Bolsonaro ou o ministro Ricardo Vélez decidiram retirar trechos que tratavam sobre correção de erros nas publicações, violência contra a mulher, publicidade e quilombolas de forma proposital”, complementa.
Nível de desinformação
O termo recuo, usado pelo jornal O Estado de S.Paulo para noticiar no Twitter a nova postura do governo, não foi bem assimilado pelo presidente Bolsonaro. Também no Twitter, ele reclamou do “nível de desinformação” do jornal e culpou o governo Temer pelas mudanças no edital, o que, segundo o presidente, estaria sendo corrigido pela sua gestão.
Foi a vez de o último ministro da Educação de Temer, Rossieli Soares Silva, se envolver no disse-me-disse. Ele negou a autoria das mudanças previstas no edital. “Nossa gestão nunca discutiu essas questões. Na verdade, em retificações anteriores, deixamos mais claras questões como relacionadas às mulheres”, disse, em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo. “Todos os atos a partir do dia 1º de janeiro são de responsabilidade do novo governo”, eximiu-se.
Como se vê, o imbróglio deve se prolongar por mais algum tempo. (metrópoles)

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