Venezuela: presidente da Assembleia Nacional é preso, mas acaba liberado pouco depois

Juan Guaidó havia dito, na última sexta, que estava disposto a assumir a presidência depois que a oposição declarou ilegítimo o segundo mandato de Nicolas Maduro
O Globo
O presidente da Assembleia Nacional da Venezuela, Juan Guaidó: 'disposto' a assumir a Presidência Foto: YURI CORTEZ/AFP/11-1-19
CARACAS — O presidente da Assembleia Nacional de Venezuela, Juan Guaidó, foi preso neste domingo por agentes do Serviço de Inteligência Bolivariana (Sebin) em uma estrada que liga Caracas a La Guaira, capital do estado de Vargas, no Norte do país, onde ele era esperado para uma reunião. O deputado foi solto pouco depois.
Segundo a mulher de Guaidó, Fabiana Rosales, os agentes de inteligência teriam retirado o deputado à força de seu carro. Um vídeo que mostra a ação foi divulgado no Twitter pelo partido Vontade Popular, fundado por ele, que faz oposição ao presidente Nicolás Maduro.
Na última sexta-feira, 11, o deputado declarou que assumiria os poderes da Presidência, por considerar que a posse de Maduro, no Tribunal Supremo de Justiça, constitui uma usurpação.
De acordo com Guaidó, a reeleição de Maduro, cujo novo mandato deve durar até 2025, infringiu três artigos da Constituição de 1999. Por isso, para restituir a ordem constitucional, reivindicou que os cidadãos, e especialmente as Forças Armadas, a não reconhecerem a posse do presidente.
Manuel Rosales, líder do partido Nuevo Tiempo, que também integra a oposição de Maduro, afirmou no Twitter que a prisão de Guaidó foi "um ultraje".
O secretário-geral da Organização dos Estados Americanos, Luis Almagro, descreveu o incidente como um sequestro. Segundo ele, que chama Guaidó de presidente interino, "a comunidade internacional deve parar os crimes de Maduro e seus asseclas".
Guaidó, de 35 anos, era, até pouco tempo atrás, um deputado pouco conhecido, mas a perseguição aos principais opositores do regime o levou para a liderança das forças contrárias a Maduro. Ele foi eleito deputado em 2015, pelo estado de Vargas, com quase 100 mil votos.

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