Presidente democrata da Câmara dos EUA diz ser contra impeachment de Trump

Nancy Pelosi argumentou que o processo prejudicaria a união do país, mas deixou claro que considera o presidente "ética e intelectualmente inadequado"
Pelosi, sobre possível impeachment de Donald Trump: " a menos que haja algo muito convincente, arrasador e bipartidário, não acredito que devamos seguir este caminho, porque ele dividirá o país" (J. Scott Applewhite/Getty Images)
A presidente da Câmara de Deputados dos Estados Unidos, a democrata Nancy Pelosi, declarou na segunda-feira 11 que é contra um possível impeachment de Donald Trump. Em entrevista ao jornal The Washington Post, ela afirmou que o presidente republicano “simplesmente não vale” o stress causado pelo processo de destituição do cargo.
“O impeachment é tão divisor para o país que, a menos que haja algo muito convincente, arrasador e bipartidário, não acredito que devamos seguir este caminho, porque ele dividirá o país”, defendeu Pelosi. “Ele simplesmente não vale a pena”, completou a líder, referindo-se a Trump.
A deputada pelo 12º distrito congressional da Califórnia, contudo, deixou claro que não considera o presidente adequado para o cargo que ocupa. “Não, eu não acho que ele está apto para ser presidente dos Estados Unidos”, disse Pelosi, detalhando que ele é “eticamente e intelectualmente inadequado.”
Este foi o comentário mais direto da democrata sobre a possibilidade do processo de destituição, um tópico sensível que divide os membros de seu partido. Alguns aliados pressionam os democratas a favor de um impeachment. O bilionário Tom Steyer, por exemplo, investiu em uma campanha milionária contra Trump.
Reagindo aos comentários da presidente da Câmara, Steyer sugeriu que Pelosi agiu por “conveniência política.”


Os pedidos pela interrupção do mandato de Trump dependem, em parte, dos processos liderados pelo procurador especial Robert Mueller, que investiga uma suposta interferência russa nas eleições presidenciais de 2016 e uma aliança entre a equipe do republicano e o governo de Vladimir Putin, para novos negócios no país soviético.
Mueller também analisa uma possível tentativa de obstrução do inquérito feita pelo presidente, que é a principal linha de ataque dos deputados democratas a Trump. O Comitê Judiciário da Câmara, comandado por deputados da oposição, também conduz investigações paralelas contra o líder americano por corrupção, abuso de poder e obstrução de Justiça. Se comprovadas, as acusações seriam suficientes para dar início a um processo de impeachment.
O líder do comitê, Jerrold Nadler, é cauteloso ao comentar o assunto e afirma que é muito cedo para decidir algo em torno do assunto. “Nós não temos todas as evidências”, disse Nadler ao programa This Week, da emissora ABC, no início de março. “Antes de impichar alguém, você precisa convencer o público americano de que isso deve acontecer.”
Trump negou qualquer crime e se intitulou vítima de uma “caça às bruxas”. A expectativa é de que o procurador Mueller envie em breve as suas conclusões sobre o inquérito ao Secretário de Justiça americano, William Barr, detalhando suas descobertas.
(com veja e AFP)

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