RIO DE JANEIRO - MP pede prisão de ex-pastor suspeito de pedofilia em igreja no Jacarezinho

Caso revelado pelo O DIA em fevereiro motivou outras denúncias. Segundo as vítimas, Paulo Giovani Moraes teria praticado abusos entre os anos de 2013 e 2016, quando elas, membros da mesma igreja, tinham entre 12 e 16 anos
Por Luana Benedito *
Cartazes com prints das conversas entre o ex-pastor e a vítima foram coladas na porta da igreja, no Jacarezinho. - Reprodução
O Ministério Público do Estado (MPRJ) pediu a prisão do ex-pastor Paulo Giovanni Moraes Bezerra, suspeito de estupro de adolescentes na Segunda Igreja Batista de Vieira Fazenda na comunidade do Jacarezinho, no Jacaré, Zona Norte do Rio. O caso foi revelado pelo DIA no início de fevereiro. Segundo as vítimas, Paulo Giovani Moraes teria praticado os abusos entre os anos de 2013 e 2016, quando elas, membros da mesma igreja, tinham entre 12 e 16 anos.
O suspeito já foi absolvido em outro caso semelhante, que tramitou na 40ª Vara Criminal em 2010, também envolvendo estupro de vulnerável. Na ocasião, o processo foi arquivado.
De acordo com o promotor Sauvei Lai, o pedido da prisão foi feito nesta sexta-feira. "Existem dois riscos: dele continuar praticando os abusos tendo em vista o seu histórico e também o risco da fuga", afirma. "Os crimes praticados por ele são gravíssimos, estamos falando de pedofilia", completa. 
O caso veio à tona quando a mãe de um dos menores desconfiou da mudança de comportamento do filho, que passou a demorar mais no banheiro, dormir pouco e ficar muito tempo no celular. Segundo a mulher, que não quis se identificar, um quadro de depressão fez com que ela investigasse o que estava acontecendo com o filho. Ao checar o telefone do adolescente, ela encontrou mensagens antigas e fotos de partes íntimas de Giovanni, que pedia para o menor enviar também.
“Ele se sentia ameaçado, tinha medo, porque o Giovanni falava que ninguém ia acreditar nele. Meu filho entrou em depressão duas vezes. Em novembro de 2017 ele não levantava da cama, não tomava banho, não abria o olho, tudo devido a essa situação”, desabafou ao DIA a mãe do rapaz.
O promotor diz que após a mãe tornar público o abuso, outras duas vítimas denunciaram. "É como uma avalanche, depois que um denuncia outros vão tomando coragem de denunciar também. O caso do João de Deus mostra muito bem isso", compara. 
Sauvei Lai faz um apelo para que vítimas do ex-pastor tomem coragem de denunciar na polícia e no Ministério Público. Paulo Giovani foi denunciado pelo órgão pelos crimes de estupro de vulnerável, estupro comum qualificado e produção de imagens pornográficas. Somando todas as penas o homem pode pegar até 351 anos de prisão. 
Procurado pelo DIA, Paulo Giovani nunca retornou os pedidos de entrevista da reportagem. 
* Com reportagem de Ana Mello e Rafael Nascimento

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