SOBRE O ATAQUE EM SUZANO - KATIA SASTRE: "SOU A PROVA VIVA DE QUE ARMAS SALVAM VIDAS EM ESCOLAS"

Para a deputada e ex-PM, tragédia poderia ser evitada se houvesse um funcionário armado dentro da escola em Suzano
Juliana Castro
Katia Sastre, que evitou um assalto em uma escola privada em Suzano, em 2018, estudou no mesmo local do massacre de quarta, 13. Foto: Michel Jesus / Agência Câmara
A deputada federal Kátia Sastre (PR-SP) cresceu frequentando as salas de aula da Escola Estadual Raul Brasil, em Suzano, município paulista com quase 295 mil habitantes. Quando soube pelo WhatsApp do ataque ao colégio em que passou parte da infância e da adolescência, pegou um voo e se deslocou até a cidade.
Foi em Suzano que a fama instantânea de Kátia surgiu, ainda no maio do ano passado. Então cabo da Polícia Militar de São Paulo, Kátia estava de folga, quando levava a filha para uma escola particular. Um bandido armado anunciou um assalto e ameaçou pais e outras criNãoanças. A PM não pensou duas vezes: sacou a pistola e atirou no criminoso, que morreu depois. Câmeras de segurança gravaram o momento da reação dela. Meses depois, ela foi eleita deputada federal.
Ela diz que ser a "prova viva" de que uma pessoa com porte e armada pode evitar tragédias.
Estudou de quando a quando na escola?
Estudei na infância e no começo da adolescência. Estudei até o terceiro ano. Saí de lá pra ir para faculdade. Não vou me recordar exatamente os anos, mas foi na década de 1990.
Como soube da notícia do ataque à escola?
A noticia chegou pelo WhatsApp, foram alguns policiais conhecidos do meu marido que avisaram a ele no momento que estava acontecendo e ele já me passou a mensagem de imediato. Então, já me desloquei para cá (Suzano). No deslocamento mesmo, eu já tinha a dimensão da tragédia.
A senhora ficou conhecida por matar um criminoso justamente na porta de uma escola em Suzano e escreveu sobre isso no Twitter. Como vê essa situação de hoje?
É uma situação lamentável. Uma tristeza enorme e a gente não tem como mensurar isso. É uma revolta muito grande. Não sei nem descrever o sentimento desses pais, dessas mães. Eu vivi isso. Graças a Deus, eu estava na porta daquela escola e ninguém de bem se feriu com a reação que eu tive, com a ação de legítima defesa. Claro que tem a mão de Deus e o preparo de militar, mas essa situação foi lamentável. Estamos com isso criando mais forças para lutar por essa segurança, que está precária. 
No Twitter, a senhora pediu que o governo adote "medidas imediatas para proteger nossas crianças". Que medidas poderiam ser essas?
Ontem mesmo eu apresentei um projeto para aumentar essas penas dos criminosos que cometem esse tipo de atrocidade tanto em órgãos públicos, escolas e o entorno desses locais. Tem que agravar essa pena. Eu defendo a redução da maioridade penal, defendo muito o porte de arma porque, se eu não tivesse armada na porta da escola do meu filho, aquelas crianças poderiam estar como as de ontem. Tem outros projetos que eu apresentei também, qualificando a Guarda Municipal com cursos e dando melhor qualificação, estrutura e porte de armas para eles também. Hoje, se tiver menos de 50 mil habitantes no município, eles não podem usar armas e morrem em decorrência de serem guardas municipais. A gente precisa de endurecimento das leis.
O senador Major Olímpio (PSL-SP) disse que a tragédia seria minimizada se houvesse algum funcionário armado. A senhora concorda?
Sou a prova viva de que armas salvam vidas em escolas. Não deixei que o mal acontecesse e acredito que as pessoas têm o direito de se defender, claro pessoas qualificadas, de bem. Hoje em dia, só os bandidos estão armados e muito bem armados. A oposição está promovendo essa vitimização e falando que é porque estavam armados (os dois assassinos de Suzano). Eles são criminosos, não precisam de porte de arma. Eles vão conseguir as melhores armas, como já tem, e vão continuar matando crianças em escolas. A situação no nosso país hoje é essa sem porte de arma e ninguém faz nada. Então, vamos mudar para um regime mais sério, um regime que vai dar uma resposta. A gente está acreditando muito nisso, a população acreditou muito na gente nessa eleição e acho que essa é a resposta que temos que dar, inclusive, brigar para separação do Ministério de Segurança que querem juntar com o Ministério da Justiça. Isso enfraquece nossa segurança pública.
O senador disse que a tragédia seria minimizada, mas, na opinião da senhora, poderia realmente ter sido evitada se tivesse alguém armado dentro da escola?
O problema não é dentro da escola. Qualquer cidadão que esteja qualificado, que recebe as instruções devidas e que seja um cidadão de bem e que faça todo o processo, qualquer pode estar ali para defender a sua vida e a de outra pessoa. Não é aquela fala: "ah, vamos colocar armas nas mãos dos professores". Não é isso. Pode ser um professor, um médico, um dentista ou um mecânico, desde que a pessoa seja de bem e passe por todos os itens necessários, ela pode se defender.
Nesse contexto, a senhora é a favor de que um professor habilitado e que se sinta à vontade para ter o porte possa estar com a arma em sala?
Qualquer pessoa qualificada e, desde que se libere o porte de arma, se ela está qualificada ao porte, não importa qual profissão ela tenha.
O senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) afirmou que a tragédia reforça o fracasso do Estatuto do Desarmamento. O Major Olímpio também deu declarações nesse sentido. A senhora concorda?
Já respondi isso. A prova viva sou eu armada na porta da escola.

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