Política : Crivella se irrita e dispara acusações contra a Globo durante entrevista

Prefeito do Rio de Janeiro foi questionado sobre as fortes chuvas que deixaram 10 mortos e um rastro de destruição na capital fluminense
ISOLAMENTO - Recai sobre o bispo a suspeita de ter renovado dois contratos milionários sem licitação (Antonio Scorza/Agência O Globo)
O prefeito do Rio de Janeiro Marcelo Crivella (PRB) se irritou e fez acusações contra a TV Globo durante coletiva na tarde desta quinta-feira 11, após um evento realizado no Palácio da Cidade, sede do Executivo carioca. Ele foi questionado acerca dos estragos provocados pelas chuvas na capital fluminense. Ao todo, dez pessoas morreram no começo desta semana e milhares de pessoas ainda estão desabrigadas;
A coletiva durou apenas três minutos, e foi iniciada pela repórter da TV Globo Larissa Schmidt. “A cidade está parada ainda, está esperando para retornar, são 7 pontos de interdição”, perguntou a repórter ao prefeito que respondeu: “Não está parada” e se retirou do local momentaneamente. Ao voltar, Crivella reclamou da cobertura feita pela emissora. “É impressionante como a Rede Globo faz campanha contra o Rio de Janeiro, não é contra mim não, é contra o Rio de Janeiro. A cidade está se movimentando”.
Na sequência, Crivella segue reclamando da Globo e diz que o presidente Jair Bolsonaro não dá entrevista à emissora pelo mesmo motivo que ele. Ainda com o clima tenso, a repórter e o prefeito discutiram. Crivella questionou em tom ríspido se ela teria mais alguma pergunta. E voltou a dizer: “É uma televisão que anuncia o tempo todo os problemas do Rio, que faz drama sobre coisas corriqueiras nas nossas vidas, desde que eu nasci aqui”. Neste momento, após a repórter perguntar se o prefeito afirmava que a tragédia ocorrida na última terça-feira era um drama corriqueiro, ele afasta com a mão a profissional da Rede Globo da roda de repórteres. “Não vou falar com vocês”, disse.
Nesta quinta-feira, Crivella decretou estado de calamidade pública em virtude do volume das chuvas, que deixaram dez mortos na cidade. A medida vale por 180 dias e autoriza, por exemplo, que o alcaide faça contratos emergenciais sem licitação. O decreto também indica que recursos advindos de processos da Operação Lava Jato sejam usados prioritariamente para as obras de reparo na cidade.
O prefeito também acusou a Rede Globo de usar o carnaval para ganhar dinheiro. “O que a Globo quer é dinheiro na sua propaganda. O que ela quer é que a gente faça uma festa no carnaval e ela possa vender 240 milhões em imagem, com a prefeitura pagando todo o carnaval. Tá errado! O que elas fazem é chantagem”, abandonando a coletiva.
Procurada, a prefeitura do Rio afirmou que “não há há contato físico do prefeito com a repórter”. A TV Globo repudiou as declarações de Crivella.
A Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) considerou que Crivella tomou atitudes “incompatíveis com o seu cargo”, em “não condizente com os princípios constitucionais da transparência na administração pública”.
Já o Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Município do Rio de Janeiro lamentou a atitude do prefeito. “Eventuais atitudes que cerceiem o trabalho das equipes de reportagem comprometem o direito de a população avaliar o trabalho da administração municipal, tanto no que diz respeito aos aspectos positivos, quanto aos negativos”.

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