Vem à tona suposta punição da Globo a jornalistas que criticaram Bolsonaro no Twitter

Foto: Montagem / GloboNews / Instagram
Coincidência ou não, as jornalistas da GloboNews Mônica Waldvogel e Leilane Neubarth sumiram da programação do canal a cabo por cerca de cinco dias em março. A ausência de ambas aconteceu logo após críticas virem à tona no Twitter sobre o presidente Jair Bolsonaro. 
De acordo com o Notícias da TV, o fato aconteceu no início de março, próximo ao fim do Carnaval, e levantou suspeitas de que as duas profissionais não teriam respeitado os Princípios Editoriais do Grupo Globo, que exige isenção do seus empregados em relação a opiniões políticas na internet.
No dia 6 de março deste ano, quarta-feira de cinzas, Leilane criticou o presidente em seu perfil no Twitter por ter compartilhado uma cena que ficou conhecida como “golden shower” (relembre aqui). "Estou desde ontem tentando entender o que leva um Presidente da República a postar uma cena escatológica como esta", escreveu a apresentadora da edição das 18h da GloboNews. 
Em outra publicação, Leilane voltou a rebater a opinião de Bolsonaro e lamentou que foi obrigada a ver tal cena por ter aparecido em suas atualizações na rede social. “A cena postada pelo Presidente não é como ele diz ‘o que tem virado muitos blocos de rua’ . Trabalho no carnaval, nas ruas, há décadas e nunca vi nada parecido. Aliás em 60 anos de vida só vi tamanha escatologia neste post. E vi sem escolher... passou na minha TL”, comentou. 
Colega de Neubarth no canal, Mônica Waldvogel, que apresenta o programa “Entre Aspas” às terças-feiras, questionou na mesma rede social no dia 5 de março se o perfil que fez a publicação era mesmo de Jair Bolsonaro: “Essa @ é mesmo do Presidente da República do Brasil?”. 
No mesmo dia, um internauta havia repercutido a fala da jornalista, o que fez Waldvogel se pronunciar mais uma vez sobre o assunto. “Jair Bolsonaro não tem a menor aptidão para o cargo que ocupa. Falta inteligência, falta senso de oportunidade, sobram caneladas”, escreveu o seguidor que foi logo depois complementado pela apresentadora: “E falta decoro”. 
Ao expor na rede social que Jair não possuía decência para o cargo que ocupa, Mônica foi respondida pelo próprio chefe de Estado na rede social. Ele decidiu por rebater a fala da jornalista por meio de outro questionamento: “E pra vocês. Falta o quê?”. 
Depois do bate-boca protagonizado no Twitter, funcionários da Rede Globo desconfiaram que as duas jornalistas teriam sido punidas. A aplicação de uma suspensão temporária teria sido baseada nas normas pré-estabelecidas no Princípio Editorial que foi reformulado após o envio de um e-mail do diretor-geral de Jornalismo da Globo, Ali Kamel, no ano passado. No documento encaminhado aos empregados, Kamel havia pedido cuidado de todos os subordinados em tornar público opiniões políticas com potencial em causar dano à credibilidade da emissora. 
Ao ser procurada, a Globo, por sua vez, negou que teria sido este o motivo do afastamento de Leilane e Waldvogel. O grupo argumentou que a ausência das profissionais, em suas respectivas funções no período, aconteceu por motivos particulares ou talvez ligados ao fato de que elas precisaram descansar por conta do Carnaval, que se encerrava naquela mesma semana. (BN)


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